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A menina-raiz
Ontem, a menina se escondeu dentro do guarda-roupas. Mas, ontem, andou pela rua e viu coisas e bichos e pessoas que nunca mais. Viu o soim que não aceitou o galho com que queriam lhe salvar do chão. Viu a gata preta que fez ninho no coração da árvore alta e, quando acordou, foi passear tranqüila pelo túnel de arame farpado. Viu a mulher na rua falando com o gato na janela, que ela nem conhecia. Encontrou filhotes livres dos quais não podia cuidar e deixou o carinho sair ali mesmo, onde estavam. Eles transbordaram e subiram no seu colo, como deviam fazer todos os gatos, mas ela precisou partir. Ontem, ficou quase meia hora tentando emoldurar a gatinha cinza de olhos dourados e desejou levá-la para casa, por que ela sempre havia sido sua. Ontem, descobriu a árvore de flores de madeira que ninguém sabia se existia.
Ontem, por certo, a menina admirou as raízes das seringueiras enormes e as seguiu para dentro do chão, sentindo o desenho continuar a se entrelaçar dentro do abrigo úmido da terra.
Ontem, a menina ficou sozinha na escuridão do silêncio, só que as coisas e os bichos e as pessoas nem souberam disso.
E nem sabem agora.
29/01/2010 Publicada por valzen
Ontem, a menina se escondeu dentro do guarda-roupas. Mas, ontem, andou pela rua e viu coisas e bichos e pessoas que nunca mais. Viu o soim que não aceitou o galho com que queriam lhe salvar do chão. Viu a gata preta que fez ninho no coração da árvore alta e, quando acordou, foi passear tranqüila pelo túnel de arame farpado. Viu a mulher na rua falando com o gato na janela, que ela nem conhecia. Encontrou filhotes livres dos quais não podia cuidar e deixou o carinho sair ali mesmo, onde estavam. Eles transbordaram e subiram no seu colo, como deviam fazer todos os gatos, mas ela precisou partir. Ontem, ficou quase meia hora tentando emoldurar a gatinha cinza de olhos dourados e desejou levá-la para casa, por que ela sempre havia sido sua. Ontem, descobriu a árvore de flores de madeira que ninguém sabia se existia.
Ontem, por certo, a menina admirou as raízes das seringueiras enormes e as seguiu para dentro do chão, sentindo o desenho continuar a se entrelaçar dentro do abrigo úmido da terra.
Ontem, a menina ficou sozinha na escuridão do silêncio, só que as coisas e os bichos e as pessoas nem souberam disso.
E nem sabem agora.
29/01/2010 Publicada por valzen
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