| Enviar esta foto por e-mail |
|
(retirada da net)
A menina louca
A menina apareceu de repente e começou a escrever uma poesia na areia molhada. A poesia, tão urgente que precisava sair de qualquer forma, não era longa, mas também não era tão curta... e ela cansou antes de terminá-la, mas aí já tinha assumido a responsabilidade por deixá-la nascer inteira. Quando terminou, percebeu que precisava escrever a quem se dirigia e assiná-la, e assim o fez. Depois, decidiu abandonar a poesia recém nascida e foi se transformando enquanto se afastava... virou fonte, virou pedra, virou árvore, virou bicho. Quando voltou, viu surpresa que o mar ainda não havia apagado a poesia. Lembrou do depois... era tudo uma questão de tempo... e a idéia do tempo foi tão séria e triste para a menina que ela quis esquecer tudo e, então, virou a cega da canga sobre os olhos e deixou o vento lhe abrir as asas enquanto o seu cachorro fantasma a guiava. Quando todos já sacudiam a cabeça, penalizados, com uma menina tão menina e tão louca, tirou a canga do rosto, chamou o homem dos picolés, tirou da sacola transparente cheia de conchas uma bolsinha, da bolsinha umas moedas, contou as moedas, escolheu o sabor do picolé e sentou na areia para, agora, observar os loucos na praia...
13/01/2008 Publicada por valzen
A menina louca
A menina apareceu de repente e começou a escrever uma poesia na areia molhada. A poesia, tão urgente que precisava sair de qualquer forma, não era longa, mas também não era tão curta... e ela cansou antes de terminá-la, mas aí já tinha assumido a responsabilidade por deixá-la nascer inteira. Quando terminou, percebeu que precisava escrever a quem se dirigia e assiná-la, e assim o fez. Depois, decidiu abandonar a poesia recém nascida e foi se transformando enquanto se afastava... virou fonte, virou pedra, virou árvore, virou bicho. Quando voltou, viu surpresa que o mar ainda não havia apagado a poesia. Lembrou do depois... era tudo uma questão de tempo... e a idéia do tempo foi tão séria e triste para a menina que ela quis esquecer tudo e, então, virou a cega da canga sobre os olhos e deixou o vento lhe abrir as asas enquanto o seu cachorro fantasma a guiava. Quando todos já sacudiam a cabeça, penalizados, com uma menina tão menina e tão louca, tirou a canga do rosto, chamou o homem dos picolés, tirou da sacola transparente cheia de conchas uma bolsinha, da bolsinha umas moedas, contou as moedas, escolheu o sabor do picolé e sentou na areia para, agora, observar os loucos na praia...
13/01/2008 Publicada por valzen
|
Um lindo texto.Merecedor de star nas prateleirs.Acredita,escreva e sonhe.deixa a meninina que existe dentro de vc ganhar a ampllidão do mar.
23/03/2008 16:19
clara arruda
clara.arruda@yahoo.com.br
valéria, Esse texto tem o dom da delicadeza. Admiro contos curtos a propósito de Italo Calvino em cidades invisíveis.Quero saber se já publicou algo. Parabens! Beijos! william
24/01/2008 06:01
william
wipcosta@gmail.com
|



