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A Cigarra e a menina
A menina viajou até Longe, onde estava A primavera das Cigarras, que surgiam depois de passar dezessete anos como ninfas debaixo da terra.
E o canto das cigarras, há tanto tempo urgente dentro da menina, soou alto, pela primeira vez do lado de fora de seus pensamentos. Era a canção da Primavera ao Redor... e ela nem tinha se dado conta que era primavera, embora sua flor já tivesse voltado, precisando ser protegida do gato comedor de flores - mas isso é outra história -.
O canto que envolveu a menina foi de paixão pelas alegrias verdadeiras da vida, da qual as cigarras pouco poderiam saber em seus curtos dias de existência acima da terra. Não mentiram, assim, apenas fizeram o que era da sua natureza: ENcantaram. A menina, por sua vez, percebeu a sinceridade e a beleza do canto e fez o que as meninas fazem: deixou a vida fluir.
Não só o canto se fez visível aos seus olhos, como também a própria cigarra... e a menina teve medo, pois descobriu que nunca as tinha visto - só lido -, mas confiou na voz amorosa que disse não haver motivos para temer e observou com espanto a cigarra agarrar-se a sua mão para todo o sempre, como se tivesse desejado o florescer daquele encontro durante os dezessete anos em que viveu de raízes...
Tiveram, as duas, a menina e a cigarra, confiança de serem pedaços do todo e não viram perigo em se entregar uma à outra. Foi um instante breve, no qual passado e futuro não puderam entrar e a menina nem se viu sendo, mergulhada no sentir de abismo... o que falou ou calou, não se sabe. Talvez, na confusão inesperada de estar na Primavera do Longe, tenha metido os pés pelas mãos, qual patas de formiga, e falado o que calou, ou calado o que falou. Mas não se sabe, não se sabe... o canto das cigarras foi mais alto que tudo.
A cigarra sumiu novamente, dessa vez para dentro do coração da menina que, todas as noites, ouve o canto da Primavera do Longe entre seus pensamentos e sonhos.
* foto retirada da net
19/10/2009 Publicada por valzen
A menina viajou até Longe, onde estava A primavera das Cigarras, que surgiam depois de passar dezessete anos como ninfas debaixo da terra.
E o canto das cigarras, há tanto tempo urgente dentro da menina, soou alto, pela primeira vez do lado de fora de seus pensamentos. Era a canção da Primavera ao Redor... e ela nem tinha se dado conta que era primavera, embora sua flor já tivesse voltado, precisando ser protegida do gato comedor de flores - mas isso é outra história -.
O canto que envolveu a menina foi de paixão pelas alegrias verdadeiras da vida, da qual as cigarras pouco poderiam saber em seus curtos dias de existência acima da terra. Não mentiram, assim, apenas fizeram o que era da sua natureza: ENcantaram. A menina, por sua vez, percebeu a sinceridade e a beleza do canto e fez o que as meninas fazem: deixou a vida fluir.
Não só o canto se fez visível aos seus olhos, como também a própria cigarra... e a menina teve medo, pois descobriu que nunca as tinha visto - só lido -, mas confiou na voz amorosa que disse não haver motivos para temer e observou com espanto a cigarra agarrar-se a sua mão para todo o sempre, como se tivesse desejado o florescer daquele encontro durante os dezessete anos em que viveu de raízes...
Tiveram, as duas, a menina e a cigarra, confiança de serem pedaços do todo e não viram perigo em se entregar uma à outra. Foi um instante breve, no qual passado e futuro não puderam entrar e a menina nem se viu sendo, mergulhada no sentir de abismo... o que falou ou calou, não se sabe. Talvez, na confusão inesperada de estar na Primavera do Longe, tenha metido os pés pelas mãos, qual patas de formiga, e falado o que calou, ou calado o que falou. Mas não se sabe, não se sabe... o canto das cigarras foi mais alto que tudo.
A cigarra sumiu novamente, dessa vez para dentro do coração da menina que, todas as noites, ouve o canto da Primavera do Longe entre seus pensamentos e sonhos.
* foto retirada da net
19/10/2009 Publicada por valzen
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